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A DOR

A dor que me dói aqui,  Me dá vontade de partir.  Todavia, pra onde irei?  Se agora não posso ir, por cá ficarei.  Mas e essa dor, quando deixarei?  No peito ecoa, sem cessar.  Enquanto o tempo não me levar,  Neste lugar, hei de esperar.  A dor que me dói, sem fim,  É sombra que não quer partir.  Mas um dia, quem sabe, enfim,  Hei de encontrar meu porvir. Por: Gutemberg 

68 dias

Hoje, 08 de fevereiro de 2025, completam 68 dias de dor. Tem dias que dói mais, tem dias que dói menos, mas sempre dói, mesmo nos dias apáticos. É uma dor seca que atinge um espaço vazio e ecoa, veloz e feroz, por todas as direções. Para o outro e no outro o nosso destino certeiro possa ser tão corriqueiro, mas ao atingir seu âmago se torna um tormento desmedido, trazendo consigo uma realidade inconcebível de saber que quem te deu à luz se apagou, levada pela única certeza que nós, aqui vivos, temos. As lágrimas escorrem levando perguntas que não tem respostas e o aperto no peito levantam possibilidades que maltratam e machucam pela  impossibilidade de ser: e se...?! Se? Não mais será! Se nada pode mudar o que intercorreu, resta a aflição que abateu a mente outrora sã, agora desequilibrada, buscando sentido no que entende como ilógico, inaceitável, improvável. O que não é ilógico, e agora factual, é essa matemática cruel em que o zero das minhas origens se torna, em dobro, agonia, ...

MAINHA

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Minha mãe foi uma mulher maravilhosa, guerreira, batalhadora, ela foi incrível! O maior troféu dela, que ela contava com orgulho, foi ter casado com meu pai, o homem que ela amava. E agora, eu desejo do fundo do coração que, seja lá aonde for, os dois estejam juntos, como sempre estiveram, conversando da mesma forma que sempre faziam ao acordar, como presenciei várias e várias vezes. Ela viveu para a família. E deu o seu melhor todos os dias! Eu nunca a vi parada em casa. Mesmo doente, seja com uma gripe, dor de cabeça, qualquer coisa, ela não parava. Ela fazia o que tinha de fazer. As costuras? Fazia questão de fazer perfeito! Ela admirava as roupas que fazia. Para ela era como uma obra de arte. E outra, a pessoa perguntava quando estaria pronta, ela dava uns dois dias, mas, por vezes, no mesmo dia ou no dia seguinte já estava pronta. E se orgulhava em dizer: levantei 5 horas, já fiz café, varri o quintal, costurei 2 calças, cortei uma blusa etc. Ela gostava de narrar tudo que já ti...

Abrace, beije, diga que ama...

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  Antes de completar 4 anos (13/01/2025) do falecimento do meu pai, repentinamente mais um desastre acontece em minha vida (e na vida de minhas irmãs). Numa quinta-feira qualquer mãe passa mal (não está claro se foi pela tarde ou pela noite). Os sintomas pareciam ser alguma comida que fez mal! Ao chegar de Queimadas pela manhã, passei lá na casa dela, e como de costume, ela esquentou uma comidinha para mim. Mesmo já tendo acertado com minha esposa que almoçaria em casa comi um pouco da comida dela. Nesse momento que estive com ela estava tudo normal. Não relatou nenhum incômodo ou coisa do tipo. E aparentemente estava como sempre a encontrei. Nessa mesma quinta, à noite, ela foi para missa, ainda mandou foto do look para minha irmã que estava na faculdade. Ao chegar da missa ela tentou comer alguma coisa e não conseguiu, não sei dizer se ela chegou a passar mal durante a missa ou foi após chegar em casa. Só tenho a informação que ela ficou enjoada e não conseguiu comer. Durante...

Coisas ruins acontecem

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  Pessoas boas também sofrem Quando eu era adolescente fugia de pensamentos sobre a morte de meus pais. Só de imaginar a morte deles eu ficava desesperado e repreendia tais pensamentos (tá repreendido! Tá repreendido! Mil vezes tá repreendido!). A gente nunca sabe quando esse dia vai chegar, mas naturalmente queremos que seja o mais distante possível. Meu pai, em 2017, apareceu com uma rouquidão que durou mais de 30 dias e não teve remédio caseiro que resolvesse ou atenuasse. Dessa forma resolveu ir ao médico e logo teve que fazer alguns exames. O médico que solicitou os exames, ao olhar os resultados de um desses exames, logo alertou e pediu brevidade para tomar providências. Disse que ele teria que fazer uma biópsia para saber se o tumor identificado na garganta era benigno ou maligno. Não me lembro mais de muitos detalhes desse momento, só lembro de estar presente no dia que meu pai foi submetido para retirar a amostra e que fui eu que levei essa amostra para o laboratór...