MAINHA
Ela viveu para a família. E deu o seu melhor todos os dias! Eu nunca a vi parada em casa. Mesmo doente, seja com uma gripe, dor de cabeça, qualquer coisa, ela não parava. Ela fazia o que tinha de fazer. As costuras? Fazia questão de fazer perfeito! Ela admirava as roupas que fazia. Para ela era como uma obra de arte. E outra, a pessoa perguntava quando estaria pronta, ela dava uns dois dias, mas, por vezes, no mesmo dia ou no dia seguinte já estava pronta. E se orgulhava em dizer: levantei 5 horas, já fiz café, varri o quintal, costurei 2 calças, cortei uma blusa etc. Ela gostava de narrar tudo que já tinha feito até certo horário da manhã.
Mainha
já labutou com a terra (plantar feijão, milho etc.), cansou de buscar água em
tanque, entre outras serviços de quem mora na zona rural. Pai também, porém,
ele trabalhou fora por muito tempo e quando a gente morava no Candeal Pequeno,
antes de Vanessa nascer, era só eu e ela, depois veio Vanessa e ainda ficamos um
tempo lá no Candeal Pequeno, onde a casa não tinha água encanada e nem luz
elétrica. Pense aí? Cuidar de duas crianças, sozinha na maior parte do tempo,
nessas circunstâncias? O fogão era a lenha! Luz era no candeeiro! Água para beber era no pote de barro e no filtro de cerâmica!
Mainha nunca deixou faltar o café, o almoço ou o jantar, todo os dias desde quando eu me entendo por gente foi tudo no horário certo. Não falhou um dia. Na época de escola a gente nunca perdeu aula, só se estivesse doente. Ela sempre me chamava: Guto, a escola! Se eu não me levantasse logo, ela entrava no quarto, mexia em mim, até eu se levantar para tomar café. “Adianta pra não se atrasar!” Fazia questão de pôr o café na mesa, de querer pôr a comida no prato, como fazia com pai. As vezes reclamava por fazer isso: mãe, a senhora já fez a comida, pode deixar que eu pego! Quando fui para faculdade foi a mesma coisa, a mesma dedicação. Ela dava o melhor dela sempre!
É surreal e até agora, inacreditável, que ela se foi. Eu não vou ver mais ela! Como assim? Depois que casei eu sempre ia lá e sempre que chegava ela oferecia algo pra comer, fazia questão! Tudo que ela sabia que eu gostava, volta e meia, quando chegava lá ela me dava dizendo que fez lembrando de mim. Eu amo tanto ela! Eu me sentia tão bem quando alguém na rua falava para ela que eu era um bom menino, ela se orgulhava, ficava feliz, e sei que sempre fiz questão de ser “um bom menino” para dar orgulho a ela. O que eu poderia fazer de melhor era não dar trabalho para quem lutava tanto.
Quantas e quantas vezes fui buscar material de costura em Sema ou no armarinho de Elza?! Mãe, eu não consegui fazer por tu metade do que a senhora fez por mim! Me perdoa! A senhora merecia viver tanta coisa boa. Eu te amo! Te amo tanto que eu não sei explicar! Que Deus ponha a senhora em um bom lugar.
Comentários
Postar um comentário