68 dias
Hoje, 08 de fevereiro de 2025, completam 68 dias de dor. Tem dias que dói mais, tem dias que dói menos, mas sempre dói, mesmo nos dias apáticos. É uma dor seca que atinge um espaço vazio e ecoa, veloz e feroz, por todas as direções. Para o outro e no outro o nosso destino certeiro possa ser tão corriqueiro, mas ao atingir seu âmago se torna um tormento desmedido, trazendo consigo uma realidade inconcebível de saber que quem te deu à luz se apagou, levada pela única certeza que nós, aqui vivos, temos.
As lágrimas escorrem levando perguntas que não tem respostas e o aperto no peito levantam possibilidades que maltratam e machucam pela impossibilidade de ser: e se...?! Se? Não mais será! Se nada pode mudar o que intercorreu, resta a aflição que abateu a mente outrora sã, agora desequilibrada, buscando sentido no que entende como ilógico, inaceitável, improvável.
O que não é ilógico, e agora factual, é essa matemática cruel em que o zero das minhas origens se torna, em dobro, agonia, sempre esperando o próximo dia.
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